• Ciência em Ação

Educação Ambiental para conservação de ecossistemas: benefícios e dificuldades

Por: Amina Razoni

Analista ambiental, Educadora ambienta, Consultora Ambiental e Gestora


Atualmente consumir tornou-se o ato mais comum do mundo capitalista, associado à satisfação que uma parcela da população sente em poder mostrar suas riquezas. O grande crescimento populacional ligado à falta de planejamento e ao uso desenfreado dos recursos naturais globais causa inquietação à parte da sociedade mundial, que podemos chamar de ‘sociedade ambientalista’. Essas pessoas mais conscientes percebem que entramos em um ciclo assim caracterizado: quanto mais se produz, mais se consome e maior quantidade de resíduos são gerados, muitos deles com potencial ameaçador à integridade da biodiversidade, como as embalagens plásticas lançados nos ambientes. Esse ciclo que parece longe de terminar está levando nosso planeta a um esgotamento de recursos naturais não renováveis e consequentemente à extinção acelerada de várias espécies.


Vários pesquisadores acreditam que os problemas ambientais que o mundo enfrenta não são devidos apenas à quantidade de pessoas que o habitam e que necessitam consumir cada vez mais os recursos naturais para se alimentarem, vestirem e morarem. Os problemas são gerados pelo excessivo consumo de uma parcela da humanidade e no desperdício e produção de produtos nefastos e inúteis para manter boa qualidade de vida (REIGOTA, 2012).


Um estudo do ecólogo Stephen Pacala, da Universidade de Princeton comprova essa linha de pensamento. No relatório de 2010 do Instituto Akatu e do World Watch Institute, Pacala fala sobre a emissão de gás carbônico na atmosfera. O estudo mostra que, nessa época, apenas os 500 milhões de pessoas mais ricas do planeta (7% da população mundial) são responsáveis pela emissão de 50% do gás carbônico. Os três bilhões de pessoas mais pobres são responsáveis por apenas 6% das emissões deste gás (BERNHARDT, 2015).


A maior parte da população mundial vive em cidades. Apesar de ocuparmos uma pequena parte da superfície da terra, conseguimos consumir cerca de 75% dos recursos naturais globais e geramos 80% de poluição. Publicações de organizações ambientais mostram que estamos consumindo mais do que a capacidade do planeta de se regenerar, alterando o frágil equilíbrio da Terra. Segundo relatório da WWF, florestas tropicais estão desaparecendo: quase 20% da Amazônia desapareceu em apenas 50 anos. Assim como, em menos de 50 anos, houve um declínio de 60% do tamanho da população das espécies de vertebrados.


O relatório de 2010 da WWI conclui “sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, nada poderá salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas”. (AKATU, 2010)


Algumas empresas e organizações já buscam formas de fazer com que o país se desenvolva de forma sustentável, a fim de garantir seu progresso sem comprometer o futuro. Reduzir a emissão de gases poluentes, diminuir a produção de resíduos sólidos, reutilizar efluentes gerados e outras medidas sustentáveis, estão entre as ações desenvolvidas para tentar equilibrar a crise entre sociedade, natureza e economia.


Legislações existem, mas é necessário um maior comprometimento por parte da população, sejam consumidores ou empresários. Além disso, os educadores ambientais buscam sensibilizar a humanidade para importância dos recursos para manutenção da vida, contribuindo de forma individual e coletiva com nossos valores sociais, nossas habilidades e competências, voltados para qualidade de vida e sustentabilidade.


De acordo com PADUA, (2013)


Educação ambiental é, sem dúvida, um dos meios mais indicados para se resgatar valores que incluem o respeito pela diversidade cultural e biológica, fundamentais para a conservação e para um convívio harmônico entre diferentes culturas e entre essas e a natureza.


A Educação é a condição básica para o progresso de qualquer população. No âmbito da conservação da natureza a EA tem um papel decisivo, uma vez que todos os esforços para conservação serão em vão se o homem não tiver consciência da sua necessidade (PEDRINI, 2002).


A Educação Ambiental pode ser tratada de forma formal ou informal, não deve ser vinculada apenas a sala de aula, deve ser trabalhada dentro e fora de casa, levada para dentro das comunidades. Por meio da sensibilização é possível mostrar como a conservação e manutenção das áreas são essenciais para a manutenção do equilíbrio da natureza.


Para MENDONÇA, (2012),


A Educação Ambiental vem sendo reconhecida como ferramenta capaz de sensibilizar a sociedade acerca dos problemas ambientais e ajudar a promover a sustentabilidade.


Apesar de todo incentivo, divulgação e obrigatoriedade nos currículos escolares existe um comprometimento “morno” por parte da maioria das instituições escolares e da classe docente em um todo no que se refere à educação ambiental (ALENCAR 2020). Se for trabalhada desde o ensino básico as gerações crescerão conscientes de suas ações e do seu fundamental papel na natureza.


De acordo com ROOS & BECKER, (2012)


Ao se entender, perceber e compreender que aplicando uma política que promova a importância da Educação Ambiental voltada principalmente para a sustentabilidade já nas escolas primárias, cria-se nas novas gerações uma nova e devida mentalidade de preservação ambiental, o que, depois, será muito mais fácil programar políticas que visem à utilização sustentável dos recursos planetários no futuro.


A Educação Ambiental tem o desafio de mudar uma cultura, pois não existe conservação sem educação. É um processo continuo que busca passar valores que possibilitem convivência equilibrada entre seres humanos e os recursos utilizados.



Referências Bibliográficas


ALENCAR, Ana Alves. Os desafios da educação ambiental no brasil. Disponível em: http://www.ambientelegal.com.br/os-desafios-da-educacao-ambiental-no-brasil/. Acesso em 02 de jan. de 2020.


Eduardo. Consumo, Consumismo e seus impactos no Meio Ambiente. Recicloteca. 15 de mar. De 2015. Disponível em: http://www.recicloteca.org.br/consumo/consumo-e-meio-ambiente/#:~:text=O%20ato%20de%20consumo%20em%20si%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20um%20problema.&text=O%20problema%20%C3%A9%20quando%20o,no%20equil%C3%ADbrio%20estabelecido%20do%20planeta. Acesso em: 29 de dez. de 2020.


MENDONÇA, D.J.F. Educação ambiental em unidades de conservação: um estudo sobre projetos desenvolvidos na apa do maracanã. Simpósio de excelência em gestão e tecnologia, 2012.


PADUA, Suzana Machado. A importância da educação ambiental na proteção da biodiversidade do Brasil. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/mre000102.pdf>. Acesso em: 03 de Jan. de 2020.


PEDRINI, Alexandre Gusmão. O contrato Social da Ciência: A importância da educação ambiental na conservação de espécies e de ecossistemas naturais. Petropolis, RJ. Vozes, 2002.


REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental. 2. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2012. cap.1, p.11-12.


ROSS, Alana; BECKER, Elsbeth Leia Spode. Educação ambiental e sustentabilidade. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental. UFSM, Santa Maria, Rio Grande do Sul, v. 5, n. 5, p. 857-866, 2012.


SCHETTINO, Luiz Fernando. Biodiversidade e Educação Ambiental: bases do desenvolvimento sustentável. Folha Vitoria. Espírito Santo, 19 de Jun. de 2019. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/geral/blogs/livrepensar/2019/06/biodiversidade-e-educacao-ambiental-bases-do-desenvolvimento-sustentavel/. Acesso em: 28 de Dez. de 2020


Como o consumo desenfreado prejudica o meio ambiente. Redação Pensamento Verde. São Paulo, 22 de Mar. De 2014. Disponível em: https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/como-o-consumo-desenfreado-prejudica-o-meio-ambiente/. Acesso em 29 de Mar. De 2020.


Instituto Akatu e World IWatch Institute (WWI). Relatório “O estado do mundo”. 2010.




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