• Bárbara do Couto Peret Dias

A IMPORTÂNCIA DO TURISMO ECOLÓGICO PARA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

Por: Bárbara do Couto Peret Dias

Bióloga e guia de natureza na Associação Onçafari

Bióloga pela Universidade Federal de Minas Gerais


O turismo ecológico é aquele que proporciona o contato com a natureza e é realizado de maneira sustentável e educativa, visando não só a melhoria do ambiente natural em que está inserido, mas também dos aspectos socioculturais da comunidade local presente na região onde a atividade é executada (Weaver & Lawton, 2007; Wardle et al., 2018). Essa modalidade turística vem se mostrando como uma importante ferramenta para a conservação da biodiversidade ao redor do mundo (Wardle et al., 2018), como por exemplo na África, onde o turismo de vida selvagem está bem estabelecido e já é possível observar o sucesso dessas ações de conservação na população de grandes felinos (Mossaz, Buckley & Castley 2015) e de outros animais que ameaçados de extinção (Buckley, Morrison & Castley 2016).


De acordo com Salafsky et al. (2008), considera-se ações voltadas para conservação aquelas com “intervenções projetadas pelo próprio pessoal ou parceiros para atingir o objetivo central do projeto (ex. ecoturismo) e por fim as metas de conservação estabelecidas”. Dentre as ações realizadas através do turismo ecológico para a conservação, os autores sugerem a presença de cinco grandes categorias essenciais para caracterizar a atividade como “de conservação”: ações voltadas para os visitantes, ações para a comunidade local, ações organizacionais e políticas, ações no ambiente biofísico e ações para a vida selvagem (Wardle et al., 2018). Essas premissas seriam imprescindíveis para caracterizar uma atividade turística de natureza como algo que contribua de fato para a conservação.


Apesar de o Brasil ainda estar pouco desenvolvido em relação ao mercado de ecoturismo global, o país apresenta grande potencial para o aumento do turismo de conservação devido a sua riquíssima biodiversidade (Gouvea, 2004). O Pantanal, por exemplo, já é um local muito procurado para observação de animais selvagens devido a sua rica biodiversidade e alto grau de preservação. É possível avistar no bioma animais ameaçados de extinção como a ariranha (Pteronura brasiliensis), cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), anta (Tapirus terrestris), arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) e a onça-pintada (Panthera onca).


Algumas iniciativas recentes já vêm trazendo resultados positivos para a conservação da maior área continental alagável do planeta e se enquadram nos moldes propostos do turismo de conservação, como é o exemplo da Associação Onçafari. O Onçafari é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que atua na conservação da fauna e dos habitats naturais brasileiros através do ecoturismo. A Onça-pintada é o maior felino das Américas e foi escolhida como espécie bandeira para o desenvolvimento das atividades de turismo de conservação do projeto devido ao grande apelo cativante da espécie para o público geral e seu importante papel ecológico para a manutenção da biodiversidade.


Há dez anos o Onçafari realiza o monitoramento de longo prazo da espécie Panthera onca na sua base principal localizada no Refúgio Ecológico Caiman (REC) no Pantanal. O REC é uma iniciativa pioneira no ecoturismo do Brasil, combinando a criação extensiva de gado juntamente com a hotelaria, o safari para observação da vida selvagem e o incentivo à projetos de conservação. A Caiman, assim, se dedica à preservação da natureza e em seus 53 mil ha são adotadas práticas sustentáveis de gestão visando maior impacto positivo de suas ações, como a criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural de 5,6 mil ha, a adoção de programas de reciclagem, desenvolvimento de um sistema agroflorestal para abastecimento interno e outras boas práticas de conservação como a estrita proibição da caça de qualquer animal.

A onça-pintada tem grande importância ecológica como predadora de topo, sendo fundamental para manutenção do equilíbrio ecológico dos ambientes onde está inserida. No entanto, o terceiro maior felino do mundo se encontra quase ameaçado de extinção globalmente pela IUCN (Quigley et al., 2017) e nacionalmente vulnerável pelo ICMBio (Morato et al., 2013). As principais ameaças incluem a perda de habitat acarretada pela expansão urbana, agrícola, da malha viária e das queimadas, além da caça “esportiva” e de retaliação por predação de animais domésticos. Nesse contexto, o turismo de observação de vida selvagem tem sido apontado como uma boa alternativa para aceitação da espécie Panthera onca em áreas conflituosas uma vez que as perdas financeiras decorrentes das predações são compensadas pelo ganho econômico da atividade turística, que passa a ser uma ferramenta de valoração da espécie viva ao invés de morta (Tortato et al., 2017).


Dentro deste cenário, o Onçafari se organiza em seis diferentes frentes de atuação: ecoturismo, ciência, educação, reintrodução, social e florestas.

O turismo de conservação é realizado através de safari em veículos adaptados nos quais os hóspedes vivem uma imersão na natureza, experienciando o dia a dia de coleta de dados científicos da equipe e aprendendo mais sobre o meio ambiente e as espécies bandeiras do projeto como a onça-pintada e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Para localizar os animais são utilizadas técnicas de rastreamento, encontro de presas abatidas por estes predadores e rádio colares de GPS/VHF.

Com o intuito de melhor observar os animais em campo para coleta de dados em habitat natural e também possibilitar avistamentos durante os safaris, foi desenvolvido o processo de habituação de onças-pintadas no Pantanal. Essa técnica foi inspirada na habituação de animais selvagens realizada pelo turismo de conservação na África e foi desenvolvida pelo Onçafari em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).


O processo de ambientação dos animais à presença de veículos é chamado de habituação. Consiste na construção de uma relação de confiança entre o animal e o veículo, onde a onça-pintada passa a enxergar o carro como parte da paisagem e entende que aquela relação é neutra, não se tratando de uma ameaça ou um benefício. Esse processo permite que ao longo do tempo o animal se sinta confortável com a aproximação de veículos de safari e continue agindo naturalmente mesmo quando observado. A habituação não significa domesticação dos animais, não há nenhuma interferência no comportamento natural do animal, oferta de comida ou recompensa utilizada ao longo do processo. É necessário apenas paciência e persistência diárias, respeitando o espaço do animal e analisando seu comportamento.



Figura 1: Onça-pintada observada durante o safari no Refúgio Ecológico Caiman. (Foto: Edu Fragoso)


O sucesso da atividade de habituação permitiu que as onças-pintadas ficassem mais confortáveis com os veículos próximos a elas e desta forma os turistas e biólogos do Onçafari passaram a observar intimamente a vida destes felinos no Refúgio Ecológico Caiman. Como resultado o número de avistamentos de onças-pintadas por ano no REC subiu de 138 em 2013 para 905 em 2019, sendo que em 2013 apenas 16% dos hóspedes avistaram um onça-pintada e em 2019 o número subiu para 98%. Esses resultados chamaram atenção de turistas do mundo todo e com isso houve um aumento de 270% de procura pelo REC desde o início do projeto Onçafari em 2011.


Após o sucesso de habituação de onças-pintadas, o Onçafari replicou o modelo em outras bases e biomas. Há um ano o ecoturismo voltado para onça-pintada também é realizado em outra pousada no Pantanal chamada Refúgio da Ilha e, tendo como espécie alvo o lobo-Guará, há quatro anos o safari de observação também é feito no bioma Cerrado na Pousada Trijunção, na qual 71% dos hóspedes avistaram o logo-guará em 2020. No bioma Mata Atlântica a atuação é mais recente e estudos estão sendo feitos para a realização de observação de onça-parda (Puma concolor) na Reserva Legado das Águas.


Figura 2: Lobo-guará observado durante o safari na Pousada Trijunção. (foto: Wellyngton Espíndola)


A ciência é feita diariamente em conjunto com o turismo realizado nos safaris de observação, a partir da coleta de dados e observação direta dos animais em campo. A pesquisa científica também engloba o monitoramento de longo prazo das populações de onças-pintadas e lobos-guarás, permitindo o acompanhamento de gerações dessas espécies. Através de informações obtidas também por armadilhas fotográficas, dados de rádio colares e amostras biológicas coletadas durante as capturas é possível obter melhor compreensão da biologia dos animais, dinâmicas populacionais, sobreposições espaciais e temporais, interações inter e intraespecíficas, comportamentos reprodutivos, cuidados parentais, padrões de predação, doenças e outras informações ainda pouco estudadas para indivíduos de vida livre e essenciais para melhor conservação da espécie.



Figura 3: Coleta de dados de onça-pintada e lobo-guará durante a campanha de captura. (Fotos João Bachur e Gustavo Figueiroa)


Desde o início do Onçafari alguns dados interessantes já foram obtidos, como: o total de 176 onças-pintadas diferentes registradas na base do Refúgio Ecológico Caiman, confirmando a alta densidade de indivíduos para a região (Soisalo & Cavalcanti, 2006); a primeira evidência empírica de interação antagonista entre queixadas (Tayassu peccari) e onças-pintadas (Rampim et al., 2020), na qual os queixadas acuaram uma onça para cima de uma árvore; e o primeiro registro de uma toca selvagem de onça-pintada, descoberta em 2013 pela equipe do Onçafari e divulgado através do documentário “Jaguar: Brazil’s Super Cats” produzido em 2015 pela rede BBC de documentários.


O Onçafari, em cooperação com o CENAP, ICMBio e outros parceiros realizaram em 2016 a primeira reintrodução bem sucedida de onças-pintadas no mundo (Morato et al., 2021). Após viverem 11 meses sob observação, pesquisa e treinamento para soltura no recinto de 1 ha construído no Refúgio Ecológico Caiman, as portas da estrutura foram abertas e as duas fêmeas foram soltas com rádio colares para monitoramento. As duas onças-pintadas estabeleceram território nas dependências do REC e são monitoradas até hoje pela equipe. O sucesso da reintrodução pode ser constatado devido ao comportamento natural e a reprodução dos dois indivíduos reintroduzidos, que comprovadamente tiveram descendentes férteis em ambiente selvagem e que hoje já são avós.


A frente de reintrodução do Onçafari objetiva a reabilitação e soltura de mamíferos de pequeno, médio e grande porte na natureza, além da recuperação de populações ameaçadas de extinção.


Após a reintrodução bem sucedida dos indivíduos no Pantanal, o Onçafari reintroduziu também duas onças-pintadas na Amazônia, em 2019. O mesmo processo foi desenvolvido com outra onça-pintada no Pantanal em 2019, no entanto esse indivíduo está participando de um grande projeto de reintrodução de animais em Esteros del Iberá, na Argentina, onde atua como macho reprodutor e será solto nesta mesma área em breve. Atualmente está em andamento um processo de reintrodução de lobos-guarás na base da Trijunção, no Cerrado, e também de duas onças-pardas no Refúgio Ecológico Caiman no Pantanal.


A atuação pela frente Social se dá diretamente nas comunidades onde o Onçafari está inserido, buscando desenvolver socioeconomicamente o entorno da área de atuação para que a partir de uma base social e econômica mais sólida as pessoas possam se engajar mais na causa ambiental. O turismo movimenta uma cadeia de serviços direta e indiretamente que resulta em um aumento de oportunidades e de alternativas de empregos. No REC, por exemplo, apenas alguns peões supririam a demanda da fazenda se houvesse apenas criação de gado como meio de produção, mas com a inserção do ecoturismo o número de empregos aumenta e diversas mulheres também são contratadas. As crianças da comunidade também crescem em um contexto diferente, com presença de mais recursos e em contato com outros idiomas e diferentes culturas fazendo com que desenvolvam diferentes visões de oportunidades de trabalho, seja como guias de vida selvagem ou outras profissões que antes não faziam parte de suas realidades.



Figura 4: Atividades educativas realizadas com crianças da comunidade do Refúgio Ecológico Caiman.


O desenvolvimento sociocultural também se dá através da arrecadação de recursos para ajudar instituições carentes das comunidades do entorno, como doações de alimentos, roupas e utensílios de necessidade básica. Inclusive, recentemente o Onçafari em parceria com o REC desenvolveu ações em prol da prevenção do COVID-19 nas comunidades do entorno da região de atuação no Pantanal. Foram confeccionadas placas educativas na língua indígena Terena, doações de máscaras, itens para prevenção da doença e outros materiais de assistência básica para população vulnerável.


Também buscando fomentar a conscientização ambiental nas comunidades, são realizadas palestras e atividades com crianças e adultos, além de safaris para observação da onça-pintada e diversas atividades lúdicas como jogo-de-memória, procura e estudo de pegadas de animais em campo, contação de história e a criação de moldes de gesso de pegadas encontradas em campo.

O Onçafari propõe não só a valorização da cultura local em prol dos benefícios ambientais, mas também a sua transformação em alguns aspectos. É possível observar entre os moradores locais uma crescente valorização da onça-pintada e da fauna pantaneira viva e saudável, como por exemplo pessoas que antigamente eram caçadoras e hoje vivem de uma atividade que mantém essas espécies vivas, transformando-se assim em protagonistas da conservação no local onde vivem.

Com o intuito de expandir as ações para além das comunidades onde o Onçafari está inserido e pensando que só podemos proteger aquilo que conhecemos, busca-se pela frente de Educação conscientizar a maior parcela da população possível frente a conservação da biodiversidade. Para isso são realizadas palestras em escolas, universidades, eventos e empresas, assim como a divulgação de informações através de mídias sociais, publicações impressas e no auxílio a equipes de filmagens e documentaristas para realizarem gravações sobre onças-pintadas e lobos-guarás nos locais de atuação do Onçafari.



Figura 5: Palestra educativa realizada para crianças da escola Santa Maria, em São Paulo.


A frente Florestas, por fim, tem o intuito de proteger e valorar áreas naturais conservadas, na qual o Onçafari busca o apoio de investidores e parceiros para realizar a compra de terras consideradas de interesse para a conservação da biodiversidade. A partir da responsabilidade de gestão e manejo destas áreas, o Onçafari planeja diferentes alternativas de renda para a transformação da área em questão, como através do ecoturismo, venda de crédito de carbono e de biodiversidade.



Como podemos ver, o turismo de conservação é capaz de gerar enormes contribuições econômicas e ambientais que beneficiam e desenvolvem socio culturalmente as comunidades onde está inserido, além de toda uma grande cadeia produtiva envolvida. Exemplos de sucesso como o Onçafari mostram que esse caminho é possível, no entanto, o ecoturismo em geral no Brasil ainda enfrenta desafios e depende de fatores para que se obtenha resultados positivos para conservação, como a regulamentação e monitoramento apropriado, o planejamento adequado de áreas protegidas e a maior participação da comunidade local (Tortato & Izzo, 2017).

REFERÊNCIAS:

BUCKLEY, Ralf C.; MORRISON, Clare; CASTLEY, J. Guy. Net effects of ecotourism on threatened species survival. PloS one, v. 11, n. 2, p. e0147988, 2016.

GOUVEA, Raul. Managing the Ecotourism Industry in Latin America: Challenges and Opportunities. Problems and Perspectives in Management, 2(2), 2004.

QUIGLEY, H., FOSTER, R., PETRACCA, L., PAYAN, E., SALOM, R. & HARMSEN, B. Panthera onca (errata version published in 2018). The IUCN Red List of Threatened Species 2017: e.T15953A123791436. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T15953A50658693.en. Downloaded on 30 March 2021.

GASPARINI-MORATO, Rose; SARTORELLO, Leonardo; RAMPIM, Lilian; FRAGOSO, Carlos; MAY J., Joares; TELES, Pedro; HABERFELD, Mario; DE PAULA, Rogério; MORATO, Ronaldo. Is reintroduction a tool for the conservation of the jaguar Panthera onca? A case study in the Brazilian Pantanal. Oryx, 1-5, 2021.

MORATO, Ronaldo; BEISIEGEL, Beatriz; RAMALHO, Emiliano; CAMPOS, Claudia; BOULHOSA, Ricardo. Avaliação do risco de extinção da onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil. Biodiversidade Brasileira. 3. 122-132, (2013).

MOSSAZ, A.; BUCKLEY, R. C.; CASTLEY, J. G. Ecotourism contributions to conservation of African big cats. Journal for Nature Conservation, v. 28, p. 112-118, 2015.

RAMPIM, Lilian E.; SARTORELLO, Leonardo R.; FRAGOSO, Carlos E.; HABERFELD, Mario, & DEVLIN, Allison L. Antagonistic interactions between predator and prey: mobbing of jaguars (Panthera onca) by white-lipped peccaries (Tayassu pecari). acta ethologica, p. 1-4, 2020.

SALAFSKY, Nick; SALZER, Daniel; STATTERSFIELD, Alison J.; HILTON‐TAYLOR, Craig; NEUGARTEN, Rachel; BUTCHART, Stuart H. M.; COLLEN, Ben; COX, Neil; MASTER, Lawrence L.; O'CONNOR, Sheila; WILKIE, David. A standard lexicon for biodiversity conservation: unified classifications of threats and actions. Conservation Biology, v. 22, n. 4, p. 897-911, 2008.

SOISALO, Marianne K. & CAVALCANTI, Sandra MC. Estimating the density of a jaguar population in the Brazilian Pantanal using camera-traps and capture–recapture sampling in combination with GPS radio-telemetry. Biological conservation, v. 129, n. 4, p. 487-496, 2006.

TORTATO, Fernando R.; IZZO, Thiago J.; HOOGESTEIJN, Rafael & PERES, Carlos A. The numbers of the beast: Valuation of jaguar (Panthera onca) tourism and cattle depredation in the Brazilian Pantanal. Global Ecology and Conservation, v. 11, p. 106-114, 2017.

TORTATO, Fernando R. & IZZO, Thiago J. Advances and barriers to the development of jaguar-tourism in the Brazilian Pantanal. Perspectives in Ecology and Conservation, v. 15, n. 1, p. 61-63, 2017.

WARDLE, Cassandra; BUCKLEY, Ralf; SHAKEELA, Aishath & CASTLEY, Guy J. Ecotourism’s contributions to conservation: analysing patterns in published studies, Journal of Ecotourism, 1-31, 2018.

WEAVER, David B.; LAWTON, Laura J. Twenty years on: The state of contemporary ecotourism research. Tourism management, v. 28, n. 5, p. 1168-1179, 2007.

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